Política no Brasil é inútil

Posted: Outubro 1, 2010 in Crítica

Dia 3 de outubro é depois de amanhã, e mais uma vez o Brasil cai na doce ilusão de que o futuro presidente poderá fazer algo por eles. Eu vos garanto que nenhum presidente jamais será capaz de mudar o país do jeito que ele está hoje. Entenda por que:

São os eleitores que escolhem os governantes. Pare e pense. O que faz sucesso no Brasil? Quem dá esse sucesso todo? Será que é a minoria pensante que tem voz aqui, ou a maioria alienada? Pois é, não adianta pedir a alguém sem educação pra escolher o seu voto. Aí você diz: Eu escolho o meu voto! Aí eu digo: nem que você escolha certo, você será outnumbered pelos outros 9 imbecis que você conhece. Me diga, quantas pessoas inteligentes e culturalmente ativas existem a seu redor? E quantos filhos-da-puta? Ê estatística cruel, viu… Ainda assim, digamos que a gente consiga escolher um candidato hoje. Vejam as propostas:

Serra: “Vou rerduzir os impostos sobre alimentação básica, construir mais moradias para os pobres, aumentar o salário mínimo, assim como eu já fiz com São Paulo”. (Psiu, o Brasil é um cadim de nada maior, viu?) Dilma: “Nosso governo já fez isso e aquilo e aquilo outro”. (vem cá, ela é presidente por acaso?) Marina: “Precisamos fazer tudo diferente. Sem um plano com sustentabilidade, igualdade, liberdade, fraternidade…” (desculpa, dormi esperando ela deixar de ser prolixa) Plínio: “Vocês não fizeram nada! Tem q mudar tudo!” (e ele está certo… mas como, sem o apoio de ninguém?).

Caríssimos presidenciáveis. O Brasil não precisa de assistencialismo. Foi com o ideal do self-made man que os Estados Unidos conseguiram fazer com que seu povo construísse seu próprio destino e prosperassem, e não com um don’t-want-to-work-but-want-money que vocês esperam. Além disso, reduzir os custos de alimentação e aumentar as linhas de crédito não são soluções. A gente não precisa só de comida pra sobreviver. Não precisamos de maneiras de nos endividarmos por mais tempo por algo que em outros países se consegue mesmo sem crédito. Mas lógico que vocês sabem disso, né? Isso faz parte do plano de estagnação social brasileiro. Vou explicar.

Vivemos hoje uma política de pão e circo, denominada de bolsa família e futebol. Só que essa política é ainda melhor, por que o futebol além de alienar e manter as massas (cinzentas?) ocupadas, ainda cria uma ilusão de mobilidade social, removendo a real possibilidade de crescimento legítimo através dos estudos. O assistencialismo remove qualquer possibilidade de um estado meritocrático, viu Dilma? Aqui nesse país, não há recompensa baseada em mérito. A não ser que o mérito seja burlar o governo ou se acomodar com as migalhas dele. Pra sustentar a corrupção e a ajuda a quem não se esforça, o trabalhador formal tem que pagar impostos altissimos, e sobre tudo! A informalidade de empregos na verdade é a solução encontrada por quem quer trabalhar e faz por onde. Pense comigo: por que eu vou pagar impostos pra ter saúde, transporte e educação se preciso de um plano de saúde, um carro (e um mecânico) e um colégio particular? Aí o candidato diz: “Vamos tirar os trabalhadores da informalidade”, e eu leio “vamos fazer mais pessoas sustentarem nossa politicagem”. Por quê ninguém percebe isso?

Na verdade percebe. O problema é que as mudanças que são necessárias tirariam todos do conforto. Digamos que passasse a ser obrigatório pra um jogador de futebol ter ensino superior, por exemplo, em educação física. Um sistema educacional de qualidade pra levar verdadeiramente, através do esforço (e não de cotas) vagas em universidade para todos. Isso desestruturaria todo um esquema de alienação e faria com que o povo voltasse mais uma vez os olhos pra educação. Os pobres não iriam gostar, é mais fácil aprender futebol do que ler. A maioria da população brasileira também não iria gostar, por que não ficaria nenhum jogador na dita melhor seleção do mundo. Mas sim, isso tiraria o foco do imediatismo e do escapismo, e faria o povo pensar outra vez. Faria o povo verdadeiramente clamar por educação, pois ela voltaria a fazer sentido. Por que os americanos quase sempre ganham as olimpíadas e o Brasil sempre fica lá atrás? Por que esporte e educação por lá andam lado a lado. E quem se atrever a dizer que aqui é assim também, sinceramente, faz parte da massa alienada.

Mas claro que ninguém fará isso, pois não dá voto. E não dá voto por que não é o que o povão quer. Eles querem continuar comendo migalha a ter que trabalhar duro par ter pão. Também não dá voto, por que os ricos não querem. Eles precisam que as massas continuem alienadas pra continuarem enriquecendo. Além disso dá menos votos ainda por que acabaria com a diversão da classe média de tomar uma cerveja vendo futebol, o que lógico que é mais importante do que um crescimento real do país a longo prazo.

Interessante esse lado, longo prazo. É necessário uma geração inteira pra fazer uma mudança efetiva. Esse pensamento nacional só mostra que a classe pensante não tem vez e que o que dá dinheiro é ser jogador, cantor de quinta categoria, ladrão ou traficante. Parafraseando um ilustríssimo jogador de futebol, direi: Nosso país está a beira de um abismo, mas estamos preparados pra dar um passo a frente.

Sim, eu voto nulo. Eu quero uma nova mentalidade. Uma nova forma de governo. E enquanto isso não vem, vou viver a minha vida do melhor jeito possível… pra mim lógico. Enquanto o pensamento nacionalista não valorizar quem merece, eu quero mais é que o Brasil se foda.

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