Metamorfose

Posted: Janeiro 21, 2014 in confissões

Mudança. Essa palavra por si só mete medo em 103% da população mundial (sim, pq até os fantasmas tem medo de ir pra luz). Mas mudar por quê? Pra quem? O quê? Eu antigamente costumava cantar pra mim mesmo a música de Gabriela, por que nasci assim, cresci assim, vou ser sempre assim. Eu não poderia estar mais errado.

Já acreditei em coisas que deixei de acreditar e comecei a crer em outras que jamais iria considerar antigamente. Já mudei de faculdade umas quinhentas vezes, de namoros, de paixões, de hobbies, de trabalho… Mudei minha personalidade, até. “As pessoas precisam se adaptar ao mundo que as cerca” – Não. “Nós temos que aprender a lidar com a necessidade do outro” – Não. “Nós temos que seguir o que a sociedade nos manda” – Muito menos. Nenhuma dessas mudanças foi para os outros, mas sim pra mim mesmo.

Certa vez conversando eu falei “Tenho que ser fiel àquilo que acredito”, e a resposta que eu obtive foi “Mas você muda as coisas que você acredita sempre.” Sim, isso é verdade. Já acreditei em papai noel, em bicho papão, em contos de fadas, em super heróis… Já acreditei na religião católica, na inocência do ser humano, na inexistência de fantasmas, nas leis absolutas da física… Já acreditei em amor único, que uma pessoa só pode suprir a necessidade de outra, que dinheiro não traz felicidade, que amor é o suficiente pra se viver. Hoje em dia não acredito em nada disso. E isso aprendi vivendo.

Vejam bem, isso não me tornou uma pessoa fria e insensível, não mesmo. Uma pessoa prática? Nem sempre. Aprendi que a paixão nos faz cometer loucuras. Não só a paixão por outra pessoa, mas a paixão por um hobby, por uma profissão, por um sonho. Isso não me deixou uma pessoa cética, apenas me abriu os olhos pra outras interpretações da realidade. E ah, como eu aprendi que a minha verdade não é a única. Nem mesmo a verdade da Física é única. Todas as regras mudam de acordo com um ponto de vista, e em muitas vezes na vida eu serei uma pessoa mais feliz se simplesmente aceitar que não sei e nem vou saber a explicação pra certas coisas, sejam elas atitudes ou acontecimentos. É difícil pra um professor admitir isso, já diria meu amigo Damien Rice. Tou contigo, cara.

Daí você pode me perguntar: Quem é você? Você não se sente perdido? E eu te respondo: pelo contrário. Nunca fui tão feliz e realizado na minha vida inteira. Eu sou fiel ao que eu acredito, e me visto de uma sinceridade para comigo mesmo que me faz ser completo. Eu jamais entrarei numa batalha comigo mesmo, pois sei que de um jeito ou de outro eu perco. Então, eu me aceito primeiramente. Daí eu vejo o que na minha vida não está de acordo com o que eu acredito. E daí eu mudo. Mudo minhas atitudes, meu emprego, meu relacionamento, minhas regras internas, minha postura, e por aí vai. E se eu mudar minha opinião sobre algo, pode ter certeza que mais mudanças acontecerão. Mas isso por que eu não estou cego com relação a mim mesmo. Por que eu busco a minha realização. E nesse caminho pra realização, vejam bem – no caminho, e não na chegada – é que eu encontro minha felicidade. Estou indo pra onde eu quero ir.

Claro que haverão sacrifícios. Nem sempre se pode ter tudo. Analisar o que se deve sacrificar de modo a seguir em frente é a mais difícil das mudanças. Arriscar o que se tem também. Mas quando se é fiel ao que você sente e o que você acredita, isso te dá forças pra mudar o que for preciso. Agora, se em qualquer momento você for contra algo que você acredita, você só estará adiando um confrontamento, se frustrando por algo que não vai te fazer completo. Lembre-se: não se pode ganhar uma batalha contra si mesmo.

Sou péssimo pra entender letras de músicas, minha irmã bem sabe e sempre me explica muitas delas. Já as que eu componho sei explicar direitinho. Mas agora me faz todo o sentido do mundo o que Raul falava: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. E digo mais, eu prefiro viver essa metamorfose constante, por que sempre acredito que nós somos as únicas pessoas capazes nos fazermos felizes. As pessoas que queremos que estejam ao nosso redor compartilham essa felicidade, mas jamais poderão ser responsáveis por ela. E nem muito menos, serem causadoras da nossa metamorfose.

Hoje entendo o que Poseidon me disse: “Você é da água, e não da terra. Mude.” E eu ficava pensando, o que é que eu tenho que mudar? E hoje percebo que não é o quê, é quem. Sou eu mesmo que tenho que conhecer a minha própria essência e ser fiel a ela. E não às expectativas de quem quer que seja. E olha só outra música clichê que agora também entendo: “Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.”

Ps: Antes que as piadas com as borboletas comecem, “butterflies and hurricanes” do Muse foi o que começou a embalar todo esse pensamento, mais ou menos em setembro do ano passado. E que tornados que essas coisinhas geram viu, te contar… Pelo visto não vou chegar a ser uma borboleta nunca (lembrei aqui do meu irmão mais novo), mas sim um eterno Metapod, endurecendo e trocando de casca. That’s ok, I’d like to use harden forever. That’s what I said.

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