The element of Freedom? – sobre a liberdade e os relacionamentos

Posted: Janeiro 25, 2014 in Análise, confissões, Crítica

Hoje algumas coisas me fizeram querer reouvir o CD the Element of Freedom da Alicia Keys. Eu estava precisando sentir exatamente essa liberdade que ela prega nesse álbum. Ela fala logo no início do álbum uma frase em inglês que significa: É chegado o dia em que a dor de se arriscar a permanecer pra sempre fechado se tornou maior do que a dor de arriscar a florescer. Este é o elemento da liberdade. Mas peraê, Alicia keys, a segunda música de cara é Love is Blind? Parei pra analisar então o álbum dela como um todo e o comportamento das pessoas diante de relacionamentos. E preciso dizer, esse element of freedom passa looonge. Frustrante!

Só quero começar dizendo, for the record, que amo Alicia Keys, mesmo com suas limitações, as músicas dela pra mim são maravilhosas, cheia de significado e pá, MAS, como não sou um fã imbecil, sei também ver os lados ruins das coisas que eu gosto. Infelizmente, Alicia não foi feliz em nomear tal álbum dessa forma.

Mas vamos ao que interessa. Vejam esse combo: “Love is Blind”, “Doesn’t mean anything”. Ambas pregam a dependência pela pessoa amada. Ah, você é um filho da puta, mas o amor é cego, vem cá que eu te amo. Ah, eu consegui tudo que eu queria na minha vida, mas eu não tenho você, é mesmo que nada. Pesado? (mais uma vez, essas músicas são lindas… pra roer sofrendo por alguém, não pra se sentir livre.)

Ok gente, nós sabemos que ter alguém pra dividir a vida conosco é importante, mas a partir daí ficar cego às coisas ruins que ele/ela faz pra você? E será que atingir todos os seus objetivos deve ser menos importante do que estar com alguém que se ama? Sinceramente, se a pessoa que você ama não está do seu lado na hora das suas conquistas é por que não queria estar. Se for questão de não poder, se foi temporário, ok. Mas se for um não posso estar do seu lado permanentemente é por que realmente não estava disposta a ver a sua felicidade. Ou por que vocês tinham planos de felicidade concorrentes – o que é normal, tá? – nem todos desejam a mesma coisa que nós, e caminhos se separam eventualmente. Mas daí a dizer que conseguiu tudo que queria e não significa nada? Alguém aí teve prioridades invertidas. (Tou parecendo um cavalo sem amor né? Mas nem sou, tá? obg)

Daí vamos para outro combo: “This bed” e “Distance and Time”. A primeira é uma lamentação upbeat de alguém que foi abandonado e está cansado de abraçar o travesseiro. A segunda… bem, a segunda. É pesado pra mim, até, falar sobre ela. Já começa com “This song is dedicated to all the lovers who can’t be together, separated by distance and time.” Já deu pra sentir o conteúdo da música né? No fundo ela está cheia de promessas que na prática da liberdade não podem ser cumpridas. Vou te esperar pra sempre, faço o que for pra te alcançar… espera sentada, tia Alicia? Tenho mais de um exemplo de dedicações dessa forma que levaram alguém a mudar uma vida por completo, mudar conceitos, aguentar sofrimentos excruciantes pra amar alguém do outro lado que apenas espera que o outro se sacrifique e entenda. Não só isso, ‘tudo que eu faço é contar os dias’ – e os que se passam contando não são vividos. Ou seja, liberdade nenhuma, preso a uma vida de esperar por decisões de outrem. Se tem uma coisa que eu aprendi é que quem quer, faz por onde. Eu faço, por que que a outra pessoa não faz? Mas só faço até onde sou correspondido, por que eu não nasci pra ser otário. Amo sim, mas me amo primeiro. Cadê o tal elemento da liberdade, Ms Keys, que eu não achei ainda. Trancado em algum lugar? (badum-tss)

“Try sleeping with a broken heart” e “Like the sea” só pregam que o amor te faz sofrer. A primeira pelo menos fala que vai tentar superar, mesmo guardando as lembranças boas. A segunda diz que o amor é que nem o mar, pode te afogar ou te fazer velejar. Mas quem comanda é o mar mesmo, ou seja… Essas são um pouco mais neutras pelo fato de aceitar que algo pode dar errado, mas que vale a pena tentar. E que se não der, tá na hora de superar. Mas ainda na fase de quem está roendo, e não de que está livre. Mas aí vem “Love is my disease” e acaba com o serviço “When you’re gone it feels like my whole world is gone with you” – Tava namorando o Galactus? Comeu o mundo dela e foi-se embora? Não acho que alguém com proporções menores que Gaia possa ser o mundo de alguém. O mundo é tão mais que uma pessoa só…

“Put it in a love song” que poderia ser uma música muito boa por ter Beyonce e Alicia juntas, é um fiasco em todos os sentidos. Mas o que estamos analisando é o conteúdo da música: “Me ame dessa forma e faça direito senão vem outro e faz melhor, daí perdeu playboy.” Sério, a música fala isso. Se é liberdade que se quer, querida, não é prendendo a outra pessoa que se consegue. Não é justo, concordam? Ah, mas essa é a ideia da sociedade hoje em dia: num mundo sem educação, o sonho do oprimido é virar opressor. É melhor ser o que trai, o que faz sofrer, o sacana, o que não está nem aí, do que ser o que é traído, o que sofre, o que se importa. Vem cá, nunca disseram pra vocês que se pode ter um relacionamento onde as coisas são compartilhadas e que não existe uma relação vilão/vítima? Depois eu sou quem não tem amor. Se for esse aí, queridos, eu passo!

Não vou falar de Empire State of Mind, ela tá fora de qualquer análise sobre relacionamentos e é a ÚNICA MUSICA do álbum que não fala sobre isso. (caramba, o que fizeram com essa mulher antes, plmdd?)

E daí vem Un-thinkable. Quem acompanhou meu blog (se não acompanhou, cata aí rapidinho e vê) já sabe que essa música foi tema de uma decisão muito importante pra minha vida. Eu precisaria fazer o impensável. Essa atitude é legal na música por que chama a outra pessoa pra conversar e joga a real na cara. PORÉM, é péssima por que a atitude é mais uma vez de espera. “If you ask me, I’m ready”. No meu caso, a outra pessoa também estava pronta. E se não estivesse? Será que eu estaria até hoje, quase 4 anos depois esperando uma resposta? Nesse estado de readiness por esse tempo inteiro? Te garanto que não. Mas a coitada da protagonista da música não teve nenhuma resposta. A música morre repetindo o “I’m ready” e a gente consegue até ouvir o ‘perainda’ do cara enrolando pra tomar uma decisão. Lembrem-se, pessoal. As decisões mais importantes da sua vida é você quem toma. Deixar um relacionamento todo nas mãos da outra pessoa, esperar por um ‘tempo’, pra saber se a pessoa quer ou não ficar com você… sinceramente, se tem que ponderar, pula fora. Não se tenta amar alguém, acontece até quando a gente não quer. Mantenham as rédeas da vida de vocês com vocês mesmos, por que se você der pra outra pessoa ela vai poder guiar o burro pra onde bem entender. (cara, sou ótimo com metáforas, palmas pra mim)

Aí acabou o CD.  Das 14 músicas, apenas a introdução e outra chamada “How it feels to fly” falam dessa liberdade de ir mais longe, de se arriscar, de ser o que você quer ser, e não atrelado a ninguém. Mas depois desse tempo todo, eu tenho certeza que Alicia Keys acordou. Com o novo álbum Girl on Fire (af que música pôdi, mas td bem) ela mostra uma maturidade que todos devem ter com relacionamentos de todas as formas. Brand new me sim é hino. New day sim é viver a vida. When it’s all over é aceitar o amor como ele acontece. Limitedless é se entregar sem limites a uma aventura. Esse álbum sim grita a liberdade. Mas the Element of Freedom, pelamorde, só escutem se vocês quiserem chorar compulsivamente e não achar solução nenhuma. Minha vibe é definitivamente outra. Como postei mais cedo no meu facebook:

Hoje eu decidi trocar wills por woulds, woulds por would haves, e principalmente mights por won’ts. Por que meus planos são meus e de mais ninguém.

Agora deixo vocês com a lição aprendida pela Alicia Keys nesses anos de relacionamentos doentios (por que só pode né?) pra que vocês então consigam achar o tal elemento da liberdade. Ele está dentro de cada um de nós e não em ninguém. Mas ironicamente, sabe como eu descobri o meu? Quando alguém chegou pra mim e falou: você pode ser quem você quiser por completo, por que só dessa forma eu posso ter a certeza que é com você que eu quero ficar e que você não vai me deixar por não estar conseguindo viver. Em outras palavras, eu precisei de outra pessoa que me dissesse que a chave da minha felicidade tava comigo mesmo. Ah se meu sobrenome fosse Keys…

PS: We’ve always been ready and that’s why we stick together.

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