E agora, um poema

Posted: Março 23, 2014 in Uncategorized

Fazia muito tempo que eu não escrevia uma poesia, e nossa, como é libertador colocar pra fora sentimentos antigos e reciclar em coisas boas pra que novos sentimentos possam tomar o lugar deles, não é? Pois aqui vai minha mais nova composição (que tem inclusive uma melodia sendo trabalhada, quem sabe não vira música?)

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Miragem

Caminhando sob a lua num deserto, um frio bom
De prata a solidão pintava a areia ao meio tom
E na luz das estrelas a canção
que me deixou entrar, sem querer ou não

Uma delas se atirou riscando o céu de um brilho azul
Percorrendo a distância do nordeste até o sul
Suicidando o brilho que estava tão distante
Pra aquecer alguém, ainda que um instante

De luto o dia amanheceu

O sol que aquece o dia mata a noite de luar
Pra não deixar que outra estrela volte a se jogar
E castiga o deserto de ilusões
Mas ascende o desejo de uma noite de paixões
O sol que queima é o mesmo que retira a escuridão
pra não deixar que alguém destrua o próprio coração
E te faz olhar mais longe do que você é capaz
Na clareza que a noite não te traz

Inebriado ainda da saudade de você
eu olho ao meu redor buscando água pra beber
eu vejo ao longe um oceano e começo a correr
tão ansioso pra sentir, tão tolo pra saber

que numa terra assim tão quente e seca nada é tão normal
que a avidez te faz errante em busca de algo irreal
E assim caminho em busca desse horizonte inexistente
um maremoto de esperança num mar ausente

 
E a noite tarda a chegar

 

O sol que aquece o dia mata a noite de luar
Pra não deixar que outra estrela volte a se jogar
E castiga o deserto de ilusões
Mas ascende o desejo de uma noite de paixões
O sol que queima é o mesmo que retira a escuridão
pra não deixar que alguém destrua o próprio coração
E te faz olhar mais longe do que você é capaz
Na clareza que a noite não te traz

Um turbilhão de vento e de emoções desencadeia
Enturva a visão enquanto a areia chicoteia
A dor que eu sinto das lembranças tão perto de mim
Dos cenários que eu imaginei eu não previ o fim
A tempestade cessa e acalma o meu coração
tudo o que sempre esteve ali era apenas chão

E a noite não vai mais voltar.

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